Portões da prática budista – Chagdud Tulku Rinponche

24 01 2012

Me interessei por este livro pois fiz algumas visitas a um templo budista tibetano aqui perto de casa  e este livro estava lá na loja do templo. Já havia lido alguns textos sobre budismo chinês, e fiquei sabendo durante essas visitas que existem diversas linhas e correntes de pensamento budistas. Este livro trata do budismo tibetano vajraiano.

O budismo tibetano vajraiano é a linha que mais me identifico, me sinto “confortável” com os ensinamentos. Este livro é ótimo para quem deseja saber mais sobre o assunto e começar a se aprodundar. O livro é escrito de forma simples e fácil entendimento.

Ao final de cada capítulo, existe uma área de perguntas e respostas que elimina muitas dúvidas que vão surgindo no caminho. “Portões da prática budista – Ensimanentos essenciais de um lama tibetano”, é um livro para ficar na cabeçeira da cama e sempre ser consultado e relido.

O ensimanentos sobre como devemos trabalhar com os venenos da mente (apego, desejo, raiva, aversão e ignorância); a importância dos quatro pensamentos (o nascimento humano precioso, a impermanência, o carma e o sofrimento); o voto de refúgio e boditchita; a fé, a oração; o ioga dos sonhos e o guru ioga, todos ensimanentos precisosos coletados de maneira extraordinária neste volume.





Diários de uma bicicleta – David Byrne

14 12 2011

Me interessei por este livro pois em Julho, estive no fórum em São Paulo sobre mobilidade: “Cidades, bicicletas e o futuro da mobilidade.”

O próprio David Byrne estava presente. O fórum aconteceu no Sesc Pinheiros e foi muito bacana. Em seu discurso, Byrne falou muito sobre o isolamente das pessoas nas cidades, sobre urbanismo, arquitetura e contou um pouco da sua experiência como ciclista. Além dele, pude ouvir o sociólogo Eduardo Vasconcellos, o secretário de transportes municipais e presidente do CET/SPTrans e o bike-repórter Arturo Alcorta.

Dá para asistir o fórum neste link.

Então, imaginem como eu estava super empolgada com a leitura deste livro. De certa maneira isso pode ter elevado demais minhas expectativas e confesso que  fiquei decepcionada com a leitura.

O livro é mais um diário de viagem do cantor e fala muito pouco (menos do que eu gostaria) da experiência de andar de bike em diversas cidades. Os capítulos, divididos por cidades, iniciam de forma mais incisiva sobre o assunto, mas depois ele se perde um pouco sobre seus pensamentos e julgamentos.

Existem capítulos inteiros em que Byrne fala realmente muito pouco sobre a estrutura social, arquitetônica e a experiência de pedalar por aquelas ruas.

Uma parte sensivelmente interessante do livro encontra-se no final. O capítulo “Nova York”, o “Epílogo” e o “Apêndice” valem a publicação.

No mais, achei o livro bem sem sal.





Einstein, sua vida, seu universo – Walter Isaacson

25 09 2011

Namorei por alguns meses esse livro quando visitava alguma livraria. Observava os lançamentos, pegava um volume ou outro, mas quando percebia estava na seção de biografias com esse gigante livro nas mãos.

Tenho muito curiosidade sobre a figura que foi popularizada, desta mente brilhante e personalidade provocativa que Sir. Albert Einstein veste com naturalidade. Mas confesso que estava com um certo receio de embarcar numa aventura densa pelo mundo da física e matemática, com suas 561 páginas (sem contar as notas e bibliografias).

Como previsto levei um texto excessivo para terminar o livro, mas foi puro prazer saber detalhes da vida pessoal e da maneira de pensar de Einstein. O livro começa e termina de maneira super agradável, o meio do livro é um pouco massante e complexo, afinal não existe biografia de um físico teórico sem longas explicações de suas teorias, debates filosóficos e posicionamento político.

Percebi, mais ainda, que Einstein faz parte de nossas vidas e não nos damos conta disso. Dentre os assuntos que mais gostei no livro estão: a maneira como a famosa equação E=mc2 aconteceu, sua relutância em aceitar a mecânica quântica, sua luta conta o anti-semitismo, a primeira guerra mundial e a bomba atômica. Pode-se dizer que é um livro que conta a história de uma época importante para toda a humanidade.

Além disso o livro é recheado de fotos e frases magníficas ditas por Einstein, uma pessoa bem humorada, humilde e cativante, apesar de intimamente ser um ser solitário. Gostei muito de saber que ele tocava violino, era galanteador, tinha o habito de caminhadas diárias e que ficou fascinado por uma bússula, presente que ganhou quando criança.

Para endender completamente o livro, acho que é necessário saber (ou refrescar a memória) um pouco com conceitos da física, mas nada que uma pesquisa rápida não resolva, pois depois de uma explicação científica, Walter Isaacson, faz um contraponto mais inteligível para leigos e reles mortais como nós :)

Separei alguns trechos e frases de Albert Einstein que gostei muito:

“Quando me pergunto como foi acontecer de eu, especificamente, descobrir a teoria da relatividade, a questão parece-me derivar da seguinte circunstância. O adulto comum nunca importuna a mente com problemas de espaço e tempo. Já pensou nessas coisas na infância. Mas eu me desenvolvi tão lentamente que comecei a refletir sobre espaço e tempo quando já era grande. Em consequência disso, aprofundei-me mais no problema do que uma criança comum o faria.”

“A música de Mozart é tão pura e linda que eu a vejo como reflexo da beleza interna do próprio universo, como toda beleza extrema, sua música era pura simplicidade.”

“Deus é sutil, mas maldoso ele não é.”

“O valor da educação universitaria não esta em aprender muitos fatos, mas em treinar a mente para pensar.”

“O nacionalismo é uma doença infantil, o sarampo da humanidade.”

“Não devemos cometer o erro de acusar o capitalismo por todos os males sociais e políticos existentes, nem supor que bastaria estabelecer o regime socialista para curar os males sociais e políticos da humanidade.”

“A vida é como andar de bicicleta. Para manter o equilíbrio, é preciso se manter em movimento.”

“A monotonia de uma vida tranquila estimula a mente criativa.”

“A imaginação é mais importante que o conhecimento. O conhecimento é limitado. A imaginação abrange o mundo inteiro.”

“Não sei como será travada a Terceira Guerra Mundial, mas posso lhe dizer o que os homens vão usar na Quarta: pedras.”

 ”O estranho no envelhecer é que a identificação íntima com o aqui-e-agora vai se perdendo aos poucos. A pessoa sente-se transposta para o infinito, mais ou menos sozinha.”





Kafka e a boneca viajante – Jordi Sierra i Fabra

6 03 2011

Tive curiosidade de ler esse livro após um destaque no panfleto da Biblioteca Hans Anderson. Adoro Franz Kafka e a figura da boneca no imaginário infantil.

A boneca é muito simbólica e expressa os sentimentos, desejos, amores, medos e frustações de toda menina.

A história escrita por Jordi Sierra i Fabra é de certa forma verídica. Um depoimento, após a morte de Franz Kafka em 1924, de sua companheira Dora Dymant foi o base  dessa história.

A narrativa gira em torno de uma menina que perdeu sua boneca num parque em Berlim. Kafka comivido com a tristeza da criança, resolve dizer que sua boneca na verdade havia viajado e ele como “Carteiro de bonecas” estava com uma carta dela.

Cometido por tal emoção, ele acaba embarcando nessa ficção para tentar trazer algum conforto à menina, e ao mesmo tempo acaba por entrar numa epopéia criativa de uma série de cartas (21 no total) onde a boneca viajante descreve suas aventuras.

O livro conta superficialmente sobre as cartas, até porque as verdadeiras nunca foram encontradas. Mas a idéia toda é muito interessante e inusitada. Eu achei o livro bacana, mas esperava um pouco mais. Acho até que o autor não captou a maneira  como Kafka escreveria tais cartas e muito menos seu conteúdo, mas também quem ousaria entender a mente de um gênio?!

Ele mesmo escreve ao final: “Quanto a mim, permiti-me a transgressão: inventar essas cartas, terminar a história, dar-lhe um final imaginário. (…) O que aconteceu é tão belo que o resto carece de importância. A única coisa evidente é que aquelas cartas devem ter sido mais lúcidas que as recriadas por mim”.





Meu Tio – Jean Claude Carriere

22 02 2011

Fiquei curiosa nesse livro pois ele foi escrito de maneira reversa, vou me explicar, primeiro veio o filme dirigido por Jacques Tati em 1958 e depois, muito depois, veio o livro escrito por Jean-Claude Carriere.

Achei o processo interessante, pois o livro se mostrou como uma tela pra mim, formando imagens divertidas e criando uma atmosfera lúdica.

As ilustrações de Pierre Étaix ajudaram a criar a estética da narrativa.

A história é contada por um menino de 7-8 anos, filho de um industrial que vive numa casa super moderna e cheia de parafernalhas que “melhoram a vida”.

Na verdade esse menino é infeliz e cheio de tédio e acaba encontrando na figura de seu Tio; um sujeito peculiar, despreocupado, que vive num bairro da periferia; sua inspiração para grandes aventuras.

A narrativa é cheia de saudosismo, humor e ironia, você sente o amadurecimento do garoto enquanto ele vai contando suas memórias de infância.

Algumas sequências são realmente hilárias e produzem um reboliço de aventuras e ações super divertidas. O livro é da Cosac Naify e tem um trabalho gráfico excelente.
Vale a pena conferir!





O Escafandro e a Borboleta – Jean Dominique Bauby

1 01 2011

A história verídica apresentada neste livro é realmente muito triste e devastadora. Traz muita reflexão e é uma verdadeira lição de vida. Posso dizer que pra mim também foi um tanto desesperador pois sempre tento me colocar na situação descrita.

Jean Dominique Bauby, teve um acidente vascular cerebral (AVC), entrou em coma e depois de alguns dias descobriu que havia perdido a capacidade de se movimentar e falar. Ele se encontrava em uma condição rara chamada Sindrome do encarceramento, onde só conseguia movimentar a pálpebra do olho esquerdo.

Em total clausura dentro de seu próprio corpo, Baudy conta sua experiência, frustações e conquistas. Com a falta de movimentos, o que lhe restou foi deixar seu espírito viajar através de suas memórias, criatividade e imaginação. Ele narra como essa inquietação transformou sua realidade e descreve a experiência transformadora e ao mesmo tempo permanente.

Apesar de sua condição, o livro foi ditado por ele mesmo através de um sistema desenvolvido por fonoaudiólogos. Esse sistema consiste de um alfabeto especial, (onde as letras com maior frequencia na língua francesa aparecem primeiro), e ao escutar a letra que deseja escrever, o paciente pisca e as palavras vão se formando. Foi realmente um trabalho de perseverança.

O Escafandro e a Borboleta é um desses livros que faz você perceber o valor da vida, de cada momento, dos pequenos detalhes que deixamos de lado na correria do dia-a-dia. Abaixo, segue o tralier do filme que foi lançado em  2007.





Suicídios Exemplares – Enrique Vila-Matas

26 12 2010

Quando li a orelha desse livro fiquei super empolgada pra conhecer um pouco sobre Enrique Vila-Matas. Neste livro, ele trata a idéia de suicídio como uma faísca do reviver, um princípio de uma energia potencial e uma possibilidade de um novo olhar para a vida.

A obsessão pelo suicídio acaba, paradoxalmente, por afastar a tentação da morte, e torna-se um incentivo para a vida, pois em nenhum dos contos os protagonistas cometem suicídio; eles fletram, sonham, planejam mas jamais o concluem.

Os primeiros contos  são excepcionalmente muito bons, de um humor irônico e envolvente, mas o contos mais pro final do livro eu simplesmente detestei, achei bem chatinhos e monótonos.

O livro é composto de 10 contos. Os que valem a pena destacar são: Morte por saudade, Em busca do parceiro eletrizante, Rosa Schwarzer volta à vida, As noites da íris negra e A hora dos cansados.

Talvez precise de mais um livro do Enrique Vila-Matas, um romance provavelmente, para conhecer melhor o escritor. Já ouvi falar muito bem do romance Doutor Pasavento.





Flores – Mario Bellatin

3 12 2010

Flores de Mario Bellatin é um livro surpreendente, a começar pelo projeto gráfico sem capa, com a orelha despregada do miolo, tudo envolto numa embalagem plástica como se fosse um exame ou um relatório científico.

A deformidade já começa no próprio volume que guarda a obra desse mexicano autêntico e ousado. Flores é uma reunião de narrativas curtas, cada uma como nome de flor.

O livro é escrito em fragmentos de histórias todas misturadas no tempo e espaço, onde a ligação entre elas se encontra na deformidade, seja congénita, sexual ou religiosa.

É um livro irônico e perverso que transita de maneira peculiar e inquietante entre o realismo fantástico e a ficção. Muitas vezes você se vê pensando: “Será que isso é verdade? Será que ele esta falando dele mesmo?”

Mario Bellatin nasceu sem o braço direito, talvez por isso essa forma narrativa tão avassaladora sobre a mutação e deformidades.

Com certeza é uma leitura única e marcante, pelo menos pra mim foi assim.
:)

Segue uma entrevista onde o próprio autor fala sobre o processo criativo de Flores. Os vazios eloquentes do livro foram uma percepção que tive muito durante a leitura.





Traumas e outras coisas que não saem no banho – Rodolfo Barreto

7 09 2010

Sempre fico orgulhosa quando um amigo consegue publicar um livro. Rodolfo estréia com contos bem humoradas, repletos de diálogos divertidos e uma pitada de reflexões da “filosofia do cotidiano”, dos acasos e fatos corriqueiros.

A maneira como as palavras são empregadas faz com que seja fácil o leitor criar uma cena ou personagem, isso foi o que mais me encantou em seu livro.

Os contos foram publicados primeiro em seu blog e depois viraram o livro “Traumas e outras coisa que não saem no banho”.

Os meus contos preferidos são: Nove, Desemprego e Traumas.

É uma ótima leitura para quem quer conhecer jovens escritores brasileiros. Como um bom carioca, a maioria de suas histórias acontece em sua cidade natal.





A elegância do ouriço – Muriel Barbery

8 08 2010

Primeiro tenho que dizer, eu adoro esse título. Já de cara fala sobre uma beleza não revelada e também sua subjetividade, afinal o que é belo?

Sob diferentes perspectivas, a mesma sensação de estranhamento e não adequação social é contada muito saborosamente por duas personagens.

Palona, 12 anos, vive num mundo isolado, onde ninguém realmente a conhece. Dotada de uma inteligência e discernimento fora do comum para sua idade; ela tem medo de despertar o interesse alheio.

Renée, 45 anos, vive com uma clandestina de seu próprio destino e realidade. Ela “veste” um estereótipo para não despertar o mesmo interesse de que Paloma sente tanto medo. Almas gêmeas pode-se dizer.

A elegância do ouriço é um livro muito delicado e sutil, mas também cheio de referências filosóficas, nomes de autores e um humor direcionado, o que fez de mim, “relis mortal” ficar um pouco perdida com tantos nomes, referências literárias e artísticas.

É o tipo de romance que se eu conhecesse todas as referências que autora cita, teria sido praticamente um outro deleite. Com certeza deixaria a leitura muito mais cativante.

Um detalhe interessante do livro é que como ele conta paralelamente duas histórias, a tipologia muda para cada protagonista. Dessa forma fica mais evidente o paralelismo e similaridade entre as personagens.

É uma ótima leitura pra quem gosta de romances que falam (e questionam) sobre a arte, beleza, filosofia e o cotidiano das sociedades.

Tenho somente uma ressalva, não gostei do final do livro. Depois de recuperada a auto-estima e reformulada suas definições, acho que as duas mereciam seguir em frente com a nova luz em seus destinos. Sei que o velho tem que dar lugar ao novo, mas realmente gostaria de ver o sol brilhar igualmente para todos.
;)








Follow

Get every new post delivered to your Inbox.