Meus desacontecimentos – Eliane Brum

Meus desacontecimentos – Eliane BrumA carne exposta pelo dito e pelo não dito. Senti-me assim, vista e contada por alguém que nunca conheci e que tem sua estória com tantos pontos parecidos com a minha. Penso quantas de nós não estão também ali expostas, dilaceradas ao lerem-se no outro.

Gosto de gente assim que lê as pessoas, escarafunchando a si própria numa vida falada, escrita, vivida e silenciosa.

Somos acontecimentos, e especialmente os não acontecidos. Eliane Brum não só me conquistou, como posso dizer que entrou dentro de mim, no buraco de um dos meus túmulos vivos e me fez rir da minha perna fantasma – no meu caso mais de uma – , me fez relembrar as minhas saudosas mulheres-flores e saborear tantas outras semelhanças que habitam nós mulheres.

Ela me fez refletir como é necessário apropriar-se da singularidade que nos torna invariavelmente insubstituíveis. E que para tornar-se o que somos é necessário perder-se em si mesmo.

Foi uma leitura perfeita para volta das férias que tirei para poder sobreviver à rotina de São Paulo, cidade feroz e apressada.

Com a sinceridade, delicadeza e falta de pudor que só se encontram na lucidez das palavras não ditas, ela conta suas memórias de infância e adolescência e sua relação com a palavra escrita. É uma autobiografia cativante e singular!

Não puder deixar de lembrar de um outro livro maravilhoso que li, há tempos atrás, chamado Cadernos da Infância.

Agora tenho mais livros em minha listinha: “Uma Duas”, “A menina quebrada” e “A vida que ninguém vê”.

Obrigada Eliane!

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