Risíveis amores – Mila Kundera

Risíveis amores - Milan Kundera

Paixão, entusiasmo e gratidão, são esses os sentimentos tenho por Milan Kundera. Gostaria muito de encontrá-lo pessoalmente e agradecer por todos os momentos perspicazes de inteligência, humor refinado e indagações que se parecem muito com os meus próprios questionamentos.

Este pequeno livro-tesouro é sem dúvida alguma um livro de contos romanescos, bem como explica o posfácio desta edição escrito por François Ricard.

Risíveis amores pode ser considerado, portanto, o primeiro livro de prosa narrativa que Kundera empreendeu e, não fosse o temor aos paradoxos, até se poderia considerar A brincadeira, concluída “em 5 de dezembro de 1965, assim como A vida está em outro lugar, que é datada do mês de junho de 1969, obras pertencentes, em certa medida, ao ciclo ou território de Risíveis amores, isto é, provocadas e alimentadas por idêntica busca, ao mesmo tempo estética e moral, de que esses contos foram a ocasião e o lugar, o laboratório, de certo modo.”

Ainda não li A brincadeira, mas achei de grande valia este posfácio, pois fiquei conhecendo mais sobre a dinâmica kunderiana.

Os sete contos de Risíveis amores, falam de forma peculiar sobre diferentes forma de amor, sexo, desejo e algumas questões existencialistas.

Em Ninguém vai rir, o amor pela notoriedade, pela aventura, a falta de amor ao próximo e o amor clandestino são os grandes nós deste emaranhado de equívocos e constatações irônicas.

O pomo de ouro do eterno desejo, fala sobre o amor à conquista, o amor à amizade e a busca ingênua do inatingível.

Em O jogo da carona, o desejo e o medo – sentimentos que de certa forma vivem colados ao amor comedido – são narrados de forma sublime, com um grande naturalidade.

O Simpósio, é o conto mais longo e também o mais incrível! Todo escrito como se fosse uma peça de teatro, onde cada capítulo é um ato fazendo analogia aos simpósios gregos. Aqui você encontra todos os tipos de desejos, questionamentos, filosofias, amores – narcisistas, platônicos, desvairados, sufocantes – e desamores. Eu simplesmente adorei!

O conto, Que os velhos mortos cedam lugar aos novos mortos, fala sobre frustação, ausência, paixão e desejo. É interessante, mas foi o que menos gostei.

O Dr. Hazel vinte anos depois, é um conto muito interessante, primeiro porque resgata um personagem do conto O simpósio – um verdadeiro garanhão, colecionar de mulherese o mostra de maneira decaída, completamente diferentes do primeiro conto. Mesmo com esse resgate de personagem, os contos são independentes, sem relação entre eles, mas ao mesmo tempo se interlaçam lindamente. Muitos paradoxos por aqui.

Esse conto fala sobre o amor ciumento, a busca da aceitação e o resgate do amor próprio.

Eduardo e Deus é tão bom ou melhor que O simpósio. Nele o protagonista deixa-se levar pelo acaso, quando na verdade ele manipula todo a situação do começo ao fim. É um belo conto sobre religião e revolução política.

Queria muito escrever mais sobre minhas reflexões, mas este é um tipo de livro que deve ser lido, devorado. Pretendo lê-lo novamente, pois foram realmente momentos maravilhosos.

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