Mar Morto – Jorge Amado

Mar Morto - Jorge AmadoAssim como Zélia Gattai, esse foi meu primeiro livro de Jorge Amado e não teve como não deixar-se apaixonar pela estória de amor épica e trágica dos personagens que ilustram tão bem o cais de Salvador e o recôncavo baiano.

“É doce morrer no mar, nas ondas verdes do mar…”

As canções de Dorival Caymmi embalam todas as marés de calmaria e tempestade que acontecem no decorrer da narrativa, que me lembrou um roteiro cinematográfico, mais pelo ritmo e descrição das cenas do que pelo formato em si. O livro tem uma cadência diferente do que eu esperava, no início me causou estranheza, mas depois me deixei levar pela força da correnteza. Continue reading

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Risíveis amores – Mila Kundera

Risíveis amores - Milan Kundera

Paixão, entusiasmo e gratidão, são esses os sentimentos tenho por Milan Kundera. Gostaria muito de encontrá-lo pessoalmente e agradecer por todos os momentos perspicazes de inteligência, humor refinado e indagações que se parecem muito com os meus próprios questionamentos.

Este pequeno livro-tesouro é sem dúvida alguma um livro de contos romanescos, bem como explica o posfácio desta edição escrito por François Ricard. Continue reading

A festa da insignificância – Milan Kundera

A festa da insignificância - Milan Kundera

A existência humana é realmente insignificante. Se você ainda não se deu conta disso, perceberá de imediato ao ler este breve livro sobre a comédia humana. Com o modo de vida contemporâneo – repleto de futilidades – nada mais essencial do que cultivar o amor ao inútil, ao insignificante.

Com uma narrativa despretensiosa, Kundera nos leva a momentos de reflexões suaves, retratando com humor irônico temas como o erotismo, narcisismo, esquecimento e a desilusão pela humanidade.

Kundera navega com naturalidade entre Paris de hoje e a União Soviética de Stálin, numa narrativa de ensaio. Continue reading

Anna Karienina – Liev Tolstói

Anna Karienina - Liev TolstóiTanto tempo se passou desde a última vez que postei aqui. Posso dizer que minha vida se transformou muitíssimo desde o primeiro dia que peguei esse belo livro nas mãos. Foi quase um ano de leituras entrecortadas por mudanças de diferentes aspectos.

Nunca levei tanto tempo para ler um livro. Isso me deixou com a impressão de que estou um pouco enferrujada, mas totalmente renovada pelas transmutações durante esse longo processo. O ano de 2013 e o começo de 2014 foram períodos de “tsunami” para mim – hoje estou mais forte – então acho que não estou tão enferrujada assim.  Continue reading

O morro dos ventos uivantes – Emily Brontë

O morro dos ventos uivantes – Emily BrontëComecei a ler esse romance, tão famoso e conhecido, super empolgada. Mas talvez eu tenha esperado muito de Emily, por ter encontrado no romance de sua irmã mais velha mais afinidade e conexão com os personagens. Tenho receio em admitir, mas a verdade é que me decepcionei com o livro.

Não senti a mesma ligação, nem interesse que tive ao ler Jane Eyre. Os cenários e acontecimentos não conseguiram se formar em minha mente e tive a sensação de estar perdendo tempo. O livro começa com um forasteiro que chega na cidade e tenta socializar com seu senhoril; e por acontecimentos fora do convencional decide perguntar sobre a família em questão.

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Jane Eyre – Charlotte Brontë

Jane Eyre - Charlotte BrontëDepois de uma fase muito turbulenta, onde tive que deixar de lado muitas coisas – como a leitura – , terminei Jane Eyre, o belíssimo romance de Charlotte Brontë.

Nesse caos maluco que (esta) estava minha vida, mudei de títulos várias vezes, comecei pela “História abreviada da literatura portátil”, de Enrique Vila-Matas, mas achei a narrativa repleta de subtextos e analogias literárias que demandavam muita atenção e energia, então achei melhor mudar para algo que julguei mais atraente e leve. Optei então por “A paixão segundo G.H.” de Clarice Lispector; doce ilusão, foi uma avalanche de ideias e reflexões profundas. Mesmo gostando da estória, senti uma necessidade muito grande de algo como um porto seguro, Continue reading

Morte em Veneza – Thomas Mann

Morte em Veneza - Thomas MannTriste e belo são os dois adjetivos que me vem a cabeça logo que termino de ler este pequeno grande livro. A forma eloquente e profunda que Thomas Mann escreve é realmente fascinante, impossível não se envolver durante todo o desenrolar da história. Tendo o amor platônico e a paixão arrebatadora pelo beleza como temas centrais, a narrativa nos leva à Veneza do século 20.

Através das reflexões de um solitário escritor – que passa por uma crise criativa e resolve sair em busca de novos ares – podemos admirar sua jornada pelos canais da cidade, seus mistérios, paixões e conflitos pessoais. A atmosfera é ao mesmo tempo insalubre, grotesca e poética. Os dilemas éticos e estéticos aparecem em toda a narrativa, assim como suas ideias Continue reading

O retrato de Dorian Gray – Oscar Wilde

O retrato de Dorian Gray - Oscar WildeEstava com muita expectativa para ler este livro, pois ganhei de uma amiga que havia tido ser o seu livro preferido. Ao termina-lo entendi o porquê, apesar dele não ter se tornado o meu predileto.

O livro conta a história de um jovem maravilhosamente lindo que acaba por se perder em sua própria beleza. Cheio de sentimentos hedonistas e críticas a sociedade inglesa do século XIX, “O retrato de Dorian Gray”, é acima de tudo um romance filosófico.

Além do mito faustiano de Goethe, Oscar Wilde faz alusão a vários autores, fala sobre a decadência intelectual da época, a busca incansável pela Continue reading

A lentidão – Milan Kundera

A lentidão – Milan KunderaEsse pequeno livro é realmente muito interessante. Kundera começa a narrativa, em primeira pessoa, através da voz masculina de um casal que está a caminho de suas férias num castelo na França. Este castelo é supostamente – ou pelo menos é isso o que o narrador nos faz entender – o mesmo castelo onde Madame de Tourvel, do romance “Ligações Perigosas”, de Chordelos de Laclos, teve suas aventuras adulteras e anseios libertinos do século XVIII.

No caminho, o narrador faz especulações metafísicas sobre a velocidade – estamos na década de 70 – e tudo o que se perdeu com os anseios tecnológicos e a pressa para alcançar o Continue reading